A resposta curta
Escolhe a equipa que te mostra trabalho real, diz os nomes das pessoas que vão construir o teu projecto, põe âmbito, prazo e preço por escrito, mostra o progresso todas as semanas, entrega o código e as contas, percebe como os clientes em Angola usam a internet e continua disponível depois do lançamento.
Faz as oito perguntas abaixo a duas ou três software houses e compara as respostas lado a lado. As diferenças costumam ver-se numa só conversa.
1. Posso ver trabalho real?
Pede projectos no ar que possas abrir e usar, e um ou dois clientes com quem possas falar. Uma apresentação bonita diz pouco sobre como o software se comporta.
Abre os projectos no teu telemóvel. Vê a rapidez com que carregam, se o texto se lê bem e se os formulários e os botões funcionam. Uma equipa que constrói com cuidado mostra-o em detalhes que podes testar tu.
Uma equipa mais recente pode não ter uma lista longa de clientes. Isso não é razão para a excluir, mas então pergunta como trabalha: um exemplo de âmbito, um exemplo do seu processo ou um primeiro passo pequeno que possas avaliar antes de te comprometeres com mais.
Uma boa resposta são ligações que podes abrir e um cliente disposto a falar. Uma resposta fraca são só imagens, ou projectos que já não existem.
2. Quem vai mesmo fazer o trabalho?
Pede os nomes e as funções das pessoas que vão desenhar e construir o teu projecto, e se vais falar directamente com elas. Nas equipas pequenas, em que as pessoas que conheces são as que constroem, as decisões costumam ser mais rápidas.
Cuidado quando quem vende o projecto não é quem o constrói e nunca chegas a conhecer quem o constrói. As perguntas passam de mão em mão e perdem-se detalhes pelo caminho.
Se parte do trabalho é feita com ferramentas de IA, pergunta como se verificam os resultados. A resposta que queres é que uma pessoa identificada revê tudo antes de tu veres.
3. Vou receber âmbito, prazo e preço por escrito?
Antes de o trabalho começar deves ter os três por escrito. Se o âmbito mudar, a mudança e o seu custo também devem ficar escritos antes de acontecer.
Um âmbito escrito diz o que vais receber e, tão importante como isso, o que não está incluído. Lê essa parte duas vezes. Muitos desentendimentos entre clientes e software houses vêm de algo que cada lado achava que estava incluído.
Pergunta o que acontece se o prazo derrapar e o que precisas de fornecer para ele se cumprir, como conteúdos, logótipos ou decisões.
4. Como vou ver o progresso?
Procura passos semanais com software a funcionar, e não um longo silêncio seguido de uma grande revelação. Ver o produto cedo permite corrigir o rumo enquanto sai barato.
Pergunta como vais rever o trabalho, por exemplo com uma ligação que abres no telemóvel, e a quem envias os comentários. Combina quantas rondas de alterações estão incluídas no preço.
5. Quem fica com o código e as contas?
Deves ser tu. Na entrega deves receber o código-fonte, a documentação e a propriedade do domínio, do alojamento e das contas das lojas. Pergunta isto antes de assinar.
Confirma que o domínio fica registado em teu nome e que as contas de alojamento e de email são criadas na tua empresa, e não na da software house. Mudar isto mais tarde é possível, mas é mais lento e às vezes custa dinheiro.
Pergunta também de que ferramentas de terceiros o teu projecto depende, como alojamento, um fornecedor de pagamentos ou um serviço de email, e quem as paga depois do lançamento.
6. Percebem como os clientes em Angola usam mesmo a internet?
O bom design local começa por estas perguntas:
- Foi desenhado primeiro para telemóvel?
- Funciona com ligações lentas ou instáveis?
- Os clientes podem contactar-te por WhatsApp?
- Está em português e, se precisares, em inglês?
- Pode aceitar os métodos de pagamento que os teus clientes usam, quando o fornecedor oferece integração?
Testa tu: abre trabalhos anteriores deles num telemóvel com sinal fraco. Se lá parecer lento ou difícil de usar, os teus clientes vão sentir o mesmo.
7. O que acontece depois do lançamento?
O software precisa de actualizações e correcções. Pergunta que apoio é oferecido, quanto custa e com que rapidez os problemas são tratados.
Uma boa resposta diz o que está coberto, como comunicar um problema e o que se cobra à parte. Pergunta se podes terminar o acordo sem perder o acesso ao teu próprio projecto.
8. Explicam as coisas com clareza?
Uma boa equipa explica opções, custos e compromissos sem jargão, e diz-te quando não precisas do que pediste. Se uma resposta é vaga agora, será vaga mais tarde.
Repara se perguntam pelo teu negócio antes de falarem de tecnologia. Perguntas sobre os teus clientes e os teus objectivos são um bom sinal.
Sinais de alerta
- Um preço sem um âmbito escrito por trás.
- Nenhum trabalho no ar para ver e nenhuma vontade de explicar o processo.
- Pressão para assinar depressa, ou um desconto que acaba hoje.
- Respostas vagas sobre quem fica com o código e as contas.
- Nenhum plano de apoio depois do lançamento.
- Promessas boas demais, como um sistema complexo em poucos dias.
Como comparar duas propostas
Põe as propostas lado a lado e compara o que está incluído, e não só o total. Vê o âmbito, o prazo, quem fica com o quê no fim, quantas rondas de alterações estão cobertas e como é o apoio depois do lançamento.
A proposta mais barata nem sempre é a de custo mais baixo. Uma proposta que deixa coisas de fora pode custar mais quando as partes em falta são acrescentadas. Pede a cada equipa que explique qualquer diferença que não percebas.